Você começou a tomar um novo remédio e, de repente, percebe que está acordando com dor na mandíbula, dor de cabeça ou até um incômodo nos dentes? Isso pode não ser coincidência. O que pouca gente sabe é que o bruxismo – aquele hábito involuntário de apertar ou ranger os dentes, geralmente durante o sono – pode ter relação direta com o uso de certas medicações.
Mas como isso acontece?
O bruxismo é influenciado por neurotransmissores que regulam o sistema nervoso central. Isso significa que qualquer substância que atue sobre esses transmissores tem o potencial de alterar o padrão de funcionamento do cérebro, inclusive interferindo no controle muscular da face.
Estudos mostram que alguns medicamentos, especialmente os usados em tratamentos psiquiátricos, como antidepressivos (ISRS, por exemplo), ansiolíticos, antipsicóticos e anticonvulsivantes, podem induzir o bruxismo como efeito colateral. Até mesmo fármacos usados para aumentar o foco e a concentração – bastante comuns hoje em dia – têm sido associados a esse tipo de movimento repetitivo e prejudicial.
Não é só uma questão estética. O bruxismo pode gerar fraturas dentárias, desgaste do esmalte, dores musculares, problemas na articulação temporomandibular (ATM) e até impactar o sono e a qualidade de vida como um todo.
O curioso é que o bruxismo induzido por medicamentos pode surgir logo nas primeiras 3 a 4 semanas após o início do tratamento. E mais: a frequência e a intensidade dos sintomas costumam ser proporcionais à dose – mas mesmo doses baixas já podem causar efeitos.
Além dos remédios, fatores como álcool, cafeína e o tabagismo também podem piorar o quadro ou atuar como gatilhos adicionais.
Por outro lado, a boa notícia: algumas medicações têm o efeito oposto. Certos fármacos podem ajudar a reduzir ou modular o bruxismo, e isso reforça a importância do diálogo aberto entre médicos, dentistas e pacientes. Cada caso é único, e ajustes sutis no protocolo medicamentoso podem fazer toda a diferença.
Sentiu que algo mudou depois de começar um novo remédio? Não ignore sinais como dor ao acordar, tensão nos músculos do rosto ou dentes mais sensíveis. Fale com seu dentista. O controle do bruxismo pode – e deve – ser feito de forma integrada e personalizada.
Referências confiáveis:
•Baat, C. de et al. (2020).
•George, J.; Roy, A.; Roy, R. (2021).
•Revet, A. et al. (2020).